O habitus da elite: a naturalidade do poder
Do hábito de William James à distinção de Pierre Bourdieu Há uma cena aparentemente banal em que o poder costuma se esconder: alguém entra numa sala, escolhe uma cadeira sem pedir licença, cumprimenta os presentes sem ansiedade, pronuncia algumas palavras e, antes mesmo de apresentar seu currículo, já parece pertencer àquele lugar. Nada foi declarado. Nenhum título foi exibido. Não houve ordem, ameaça ou demonstração explícita de riqueza. Ainda assim, alguma coisa foi reconhecida. O corpo chegou antes da biografia. É nesse intervalo entre o que uma pessoa possui e aquilo que parece ser que se encontra o habitus da elite. O termo não designa simplesmente bons modos, etiqueta ou estilo de vida caro. Designa uma história social que se tornou disposição corporal: a capacidade de falar sem pressa, circular sem pedir desculpas, escolher sem demonstrar esforço e tratar como natural aquilo que para os outros exige aprendizado, vigilância e autocontrole. A elite não se reproduz apenas porque he...