Brasil: Índice de criminalidade
A extorsão e o esquema de proteção são práticas arraigadas, principalmente em centros urbanos onde milícias apoiadas pela polícia cobram por serviços de proteção. Elas exploram os recursos policiais para coagir pagamentos em práticas de extorsão que visam garimpeiros, empresários, políticos locais e moradores. Embora os grupos mafiosos mais influentes do Brasil, como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), dominem esse mercado criminoso, eles costumam evitar envolver cidadãos comuns.
Troca
Ambiente
A mineração ilegal continua disseminada no Brasil. A extração de ouro, particularmente em territórios Yanomami e Tapajós, é impulsionada pelos altos preços globais, pela fiscalização deficiente e por sofisticadas operações de contrabando. A cadeia de suprimentos de ouro no Brasil carece de transparência, permitindo que o ouro extraído ilegalmente entre na economia formal. A alta dos preços do ouro nos últimos cinco anos, aliada à fraca aplicação da lei e a um mercado pouco regulamentado, exacerbou o problema. As estimativas de garimpeiros ilegais em territórios indígenas da Amazônia variam de 4.000 (número oficial) a até 20.000 (ONGs e líderes indígenas). Outros recursos extraídos ilicitamente incluem diamantes, cassiterita e tântalo, com redes de contrabando transfronteiriças ligadas à Venezuela, Guiana e Colômbia. O tráfico de areia também emergiu como um crime lucrativo, principalmente ao longo do Rio Preto, em São Paulo, em áreas controladas por milícias no Rio de Janeiro e na Bahia e Paraíba.
Drogas
O Brasil é um importante centro no tráfico global de cocaína devido à sua localização próxima a países produtores de drogas essenciais e às suas extensas redes de transporte. A região amazônica tornou-se um dos principais pontos de entrada, com traficantes utilizando seus rios para transportar carregamentos até portos no Atlântico para exportação, principalmente para a Europa. As apreensões de cocaína aumentaram significativamente, com as autoridades interceptando grandes carregamentos ao longo do ano. Portos e aeronaves particulares são comumente utilizados para o contrabando, e redes criminosas internacionais colaboram com grupos brasileiros para facilitar o tráfico. Os esforços das forças de segurança resultaram em prisões e apreensões de bens, mas o tráfico permanece altamente ativo. A cocaína circula por duas rotas principais: uma integra os carregamentos às exportações agrícolas e a outra explora a fraca vigilância na Amazônia. Grupos do crime organizado dominam o tráfico, utilizando redes em expansão para transportar drogas internacionalmente. O Brasil também é um dos maiores consumidores de cocaína e crack, com um amplo mercado interno controlado por organizações criminosas. O tráfico de drogas alimenta a violência e está ligado a outras atividades ilícitas, incluindo o tráfico de armas e o roubo de veículos. Os grupos criminosos continuam a expandir seu alcance, utilizando rotas alternativas e parcerias para escapar da aplicação da lei.
O Brasil é um grande consumidor de cannabis, proveniente principalmente do Paraguai, embora o cultivo doméstico esteja aumentando. O comércio de cannabis desempenha um papel crucial no financiamento de organizações criminosas, especialmente em centros urbanos. A maior parte da maconha no Brasil é de baixa qualidade e frequentemente transportada em forma compactada para maior discrição, mas a demanda por cannabis de melhor qualidade, incluindo variedades importadas, está crescendo. Consumidores mais ricos impulsionam a demanda por produtos premium da Europa, África e Estados Unidos. Grupos criminosos envolvidos no tráfico de cocaína, como o PCC e o CV, também controlam a distribuição de maconha, utilizando os mesmos canais do tráfico de cocaína, com a produção gerenciada por organizações paraguaias e colombianas. Os esforços das forças de segurança têm impactado as operações das redes criminosas, mas a maconha continua amplamente acessível, com preços variando conforme a região.
O Brasil está vivenciando um aumento nas apreensões de drogas sintéticas, particularmente o fentanil, que é produzido cada vez mais no país e distribuído pelos correios. Frequentemente misturado com outras substâncias, o fentanil apresenta riscos desconhecidos para os usuários. Drogas sintéticas como ecstasy, cocaína rosa e ketamina estão se tornando mais prevalentes, especialmente na cultura das festas. O Brasil desempenha um papel fundamental nas redes internacionais de contrabando, com a entrada de matérias-primas por portos, aeroportos e fronteiras terrestres. Algumas drogas sintéticas são desviadas de fontes farmacêuticas ou contrabandeadas do México, evidenciando os laços entre organizações criminosas latino-americanas. As forças policiais e instituições de pesquisa estão trabalhando para aprimorar os esforços de detecção e prevenção. Relatórios indicam um aumento geral nas apreensões de drogas sintéticas e nas overdoses em um cenário de drogas em constante evolução.
O mercado de heroína no Brasil é limitado. Não é uma droga de rua comum e é raramente usada devido ao seu alto custo e baixa disponibilidade no mercado.
Crimes dependentes da internet
O Brasil enfrenta uma crescente ameaça de crimes cibernéticos, com ataques direcionados cada vez mais a indivíduos e empresas. Um grande vazamento de dados no início de 2024 expôs informações sensíveis de milhões de pessoas, e ransomware e trojans bancários são ameaças persistentes. O Brasil é um alvo importante para ataques cibernéticos na América Latina, respondendo por uma parcela significativa dos incidentes regionais. Os trojans bancários originários do Brasil passaram a dominar o cenário global, preenchendo a lacuna deixada pelos cibercriminosos do Leste Europeu que migraram para o ransomware. Empresas relatam violações frequentes, muitas vezes interrompendo o acesso a dados críticos. Os esforços para combater as ameaças cibernéticas continuam, mas as vulnerabilidades permanecem disseminadas em diversos setores.
Crimes financeiros
Os crimes financeiros no Brasil são generalizados, abrangendo corrupção, sonegação fiscal, peculato e fraude. A sonegação fiscal permanece significativa, com fluxos ilícitos de faturamento incorreto representando uma parcela substancial do PIB. As autoridades desmantelaram esquemas envolvendo empresas de fachada e declarações fraudulentas de imposto de renda. A fraude em investimentos também aumentou, atingindo fundos de pensão, investidores e agências de desenvolvimento estaduais. Os crimes financeiros cibernéticos, incluindo roubo de identidade, golpes online e fraude financeira, tornaram-se cada vez mais prevalentes, com muitos esquemas operados de dentro de presídios. A fraude financeira impactou significativamente diversos setores, incluindo varejo, comércio eletrônico e seguros, com mais de US$ 1,5 bilhão perdidos em golpes durante o período analisado. Aplicativos fraudulentos de jogos de azar e golpes de phishing exploram os cidadãos. Esses fluxos financeiros ilícitos sustentam o crime organizado.
Atores Criminosos
O crime organizado no Brasil é dominado pelos grupos PCC e CV, que expandiram suas operações para além dos presídios, atuando em âmbito transnacional. Eles se envolvem com tráfico de drogas e armas, contrabando, lavagem de dinheiro e mineração ilegal, e colaboram com organizações criminosas estrangeiras na América Latina, Europa e África. O PCC opera como uma rede descentralizada, enquanto o CV mantém uma estrutura hierárquica com controle territorial. Ambos os grupos recrutam membros em presídios e exercem influência política por meio da corrupção e da lavagem de dinheiro. Suas atividades desestabilizam regiões urbanas e de fronteira, alimentando a violência e os crimes econômicos. As forças de segurança enfrentam desafios constantes à medida que esses grupos se consolidam em redes internacionais de narcotráfico, sistemas financeiros e estruturas de governança.
O Brasil enfrenta um desafio crescente do crime organizado, com inúmeras facções criminosas atuando dentro e fora dos presídios. Esses grupos exibem diferentes níveis de estrutura e fluidez. As redes criminosas estão expandindo suas atividades na região amazônica, o que intensificou a violência e fortaleceu as conexões transnacionais, particularmente no tráfico de drogas e em crimes ambientais. Além do narcotráfico, as redes criminosas se envolvem em mineração ilegal, tráfico de armas, roubo a bancos e lavagem de dinheiro. Muitas mantêm alianças com figuras políticas, utilizando recursos ilícitos para influenciar eleições.
Em todo o país, diversos agentes da lei, militares e funcionários públicos civis formam grupos que lucram com uma variedade de atividades ilícitas, incluindo drogas, mineração, crimes ambientais e crimes financeiros. As milícias paramilitares brasileiras, compostas principalmente por membros da ativa e da reserva das forças de segurança, são os atores criminosos mais influentes infiltrados no Estado. Elas também se tornaram atores dominantes, superando as gangues tradicionais no controle territorial. Concentradas nas áreas marginalizadas do Rio de Janeiro, exercem autoridade de fato, extorquindo moradores e monopolizando serviços como água, luz, transporte e mercado imobiliário. A conivência com outros funcionários públicos permite que esses grupos escapem da aplicação da lei, infiltrando-se em instituições políticas e influenciando os resultados eleitorais. Algumas milícias se aliaram recentemente a narcotraficantes, expandindo suas atividades para o tráfico de drogas. Sua capacidade de exercer violência e cooptar estruturas administrativas evidencia seu enraizamento sistêmico, tornando-as um fator-chave no cenário do crime organizado brasileiro e um elemento significativo nos níveis persistentemente elevados de violência no país.
O cenário do crime organizado no país está profundamente entrelaçado com organizações criminosas estrangeiras que colaboram ou competem com grupos nacionais como o PCC e a CV. Máfias italianas (notadamente a 'Ndrangheta) e redes balcânicas facilitam o tráfico transnacional de drogas e armas, a lavagem de dinheiro e disputas territoriais. Gangues venezuelanas exploram rotas migratórias para se expandirem para as regiões do norte do Brasil, formando alianças para o tráfico de drogas e ouro, bem como para a exploração humana. Grupos peruanos e bolivianos, juntamente com dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), estabelecem rotas de abastecimento de cocaína para o Brasil. Máfias nigerianas, chinesas e albanesas se envolvem em diversas atividades ilícitas, desde crimes financeiros até a extração ilegal de recursos naturais. As diásporas desempenham papéis fundamentais nos mercados de falsificação e nas máfias do transporte público, refletindo laços criminoso-econômicos de longa data entre o Brasil e atores globais.
O setor privado no Brasil facilita a lavagem de dinheiro em larga escala e os fluxos financeiros ilícitos. Organizações criminosas integram fundos ilegais em setores legítimos, como transporte público, agricultura e saúde. Investigações revelam que empresas de ônibus, fornecedores hospitalares e lojas de autopeças atuam como intermediários para a lavagem de recursos ilícitos. O setor de mineração de ouro, com ligações internacionais, desempenha um papel fundamental nos crimes financeiros, principalmente por meio de atores guianenses. Bancos, empresas de tecnologia financeira (fintechs) e casas de câmbio facilitam essas operações, sendo que algumas instituições se dedicam principalmente ao financiamento ilícito.
Liderança e governança
O Brasil enfrenta desafios persistentes no combate ao crime organizado, com níveis de violência letal comparáveis aos de zonas de conflito. Embora o país tenha registrado sua menor taxa de homicídios em mais de uma década em 2024, ainda lidera em números absolutos, e a violência permanece concentrada em estados como a Bahia. As taxas de condenação por homicídio continuam baixas, e a atividade de gangues continua a alimentar o crime, particularmente em centros urbanos e na Amazônia. O governo atual priorizou a segurança, revertendo a desregulamentação de armas de fogo e lançando programas específicos para combater o crime organizado, o narcotráfico e os crimes ambientais. Iniciativas como o Programa Nacional de Combate ao Crime Organizado e o Programa de Ação em Segurança visam aprimorar a cooperação entre policiais e o judiciário. As forças de segurança federais também têm se concentrado em coibir a extração ilegal de ouro e o contrabando. Apesar dessas medidas, a violência policial aumentou em algumas regiões, e as redes do crime organizado mantêm um controle territorial significativo.
A corrupção é um problema grave, com os emaranhados políticos limitando a aplicação da lei contra grupos criminosos. A influência de milícias na administração local e a interferência eleitoral por parte de organizações criminosas enfraquecem o Estado de Direito. Apesar dos marcos regulatórios e sistemas de combate à corrupção no Brasil, persistem fragilidades sistêmicas em termos de transparência e responsabilização. Com a cumplicidade institucional que permite a atuação de redes criminosas, a percepção de corrupção no país piorou. Há relatos de que juízes, promotores e agentes da lei possuem ligações com o crime organizado. Decisões judiciais, incluindo a suspensão de multas e a flexibilização das regras para nomeações políticas, aumentam ainda mais as preocupações com os retrocessos. No entanto, os esforços anticorrupção recentes incluem a revogação de sigilosos e reformas tributárias para reduzir a corrupção.
Reconhecendo a complexidade e a escala da crise de segurança, o governo brasileiro começou a mobilizar apoio internacional. Estão em curso esforços diplomáticos para envolver países vizinhos e parceiros globais no desenvolvimento de uma abordagem coordenada e estratégica para combater o narcotráfico e o crime organizado. Operações conjuntas com autoridades policiais europeias resultaram em prisões relacionadas ao tráfico de drogas. Em agosto de 2023, o Brasil reativou uma organização regional de tratados para fortalecer os esforços multilaterais contra a mineração e a extração ilegal de madeira, embora ainda existam lacunas no combate aos crimes ambientais. Acordos com Paraguai, Alemanha, Equador, China e França visam o tráfico de drogas e armas, a lavagem de dinheiro e o desmatamento ilegal. Um órgão continental de cooperação policial foi formalmente estabelecido em 2023, com o Brasil em posição de liderança.
Apesar das limitações impostas pelo federalismo brasileiro à aplicação da lei, o governo atual implementou medidas de segurança em seu primeiro ano. Controles de armas mais rigorosos reduziram o acesso de civis a armas de fogo, aumentaram impostos e restringiram o acesso a certos tipos de armamento. Operações de combate à mineração ilegal expulsaram garimpeiros, fortaleceram a fiscalização e aumentaram a transparência no comércio de ouro. Uma iniciativa de segurança estabeleceu 34 postos policiais na Amazônia para combater o narcotráfico e crimes ambientais. Um programa nacional impulsionou o policiamento, a cooperação interinstitucional e a segurança nas fronteiras. Um decreto de 2023 reforçou a coordenação entre o governo federal e as Forças Armadas contra o crime organizado. Leis mais severas contra o tráfico de pessoas aumentaram as penas, alinhando-se a protocolos internacionais. As leis sobre crimes contra a vida selvagem permanecem desatualizadas, enquanto as políticas antidrogas enfrentam debates jurídicos. Novas regulamentações visam drogas sintéticas, crimes cibernéticos, corrupção e fraudes financeiras.
Justiça criminal e segurança
O judiciário brasileiro, embora mantenha independência em diversas áreas, enfrenta problemas de ineficiência, pressões externas e fiscalização limitada, principalmente em regiões rurais. Promotores raramente investigam má conduta policial, contribuindo para uma cultura generalizada de impunidade. Denúncias de corrupção judicial, incluindo juízes ligados a organizações criminosas, corroem ainda mais a integridade institucional. O sistema prisional, um dos maiores do mundo, está superlotado e profundamente infiltrado pelo crime organizado, servindo como terreno fértil para o recrutamento de facções criminosas. Grupos criminosos atuam na maioria dos estados, exercendo influência dentro e fora dos muros das prisões. Apesar de iniciativas como a criação de uma Polícia Penal Nacional, as autoridades enfrentam desafios persistentes no controle do crime organizado dentro dos presídios.
O sistema de segurança pública brasileiro enfrenta profundos desafios estruturais, com policiais frequentemente envolvidos em atividades criminosas. A corrupção policial e a falta de fiscalização contribuem para a disseminação de má conduta, incluindo execuções extrajudiciais e conluio com milícias. Nos casos em que o governo tomou medidas legais contra o tráfico de pessoas e o cibercrime, a abordagem militarizada do policiamento levou a confrontos violentos e à perpetuação do abuso de poder. As divisões institucionais entre a polícia militar e a civil agravam a ineficiência. A confiança pública permanece baixa devido à percepção de parcialidade política, subfinanciamento e disparidades raciais sistêmicas. Apesar dos esforços para fortalecer a segurança pública, grupos criminosos em muitas áreas continuam mais bem equipados do que as autoridades.
O crime organizado é um problema grave no Brasil, principalmente nas regiões de fronteira, cidades e portos. As vastas fronteiras terrestres e fluviais, sem vigilância, facilitam atividades ilícitas. As densas florestas e a rede fluvial da Amazônia também contribuem para a atuação do crime organizado. As áreas de tríplice fronteira servem como centros para o crime transnacional, incluindo mineração ilegal e crimes ambientais. Grupos criminosos exploram as vias navegáveis pouco monitoradas para transportar mercadorias ilícitas, com portos como Porto Vila do Conde ligados ao tráfico de drogas. A Amazônia tornou-se um foco de criminalidade, com aumento da violência em municípios importantes.
Ambiente econômico e financeiro
O Brasil estabeleceu um arcabouço legal e institucional, liderado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, para combater a lavagem de dinheiro por meio de estratégias nacionais, programas de capacitação e unidades especializadas. Contudo, desafios persistem, particularmente em esquemas de lavagem de dinheiro ligados à corrupção que utilizam métodos baseados em transações comerciais e transferências informais. A fiscalização tem melhorado, mas os processos judiciais são lentos e as lacunas de coordenação prejudicam a eficácia. Regulamentações recentes que visam coibir fluxos financeiros ilícitos em transações com ouro exigem maior rigor no monitoramento e na fiscalização por parte das instituições de mineração e financeiras.
Os altos índices de criminalidade e violência no Brasil representam obstáculos significativos ao investimento. O ambiente empresarial desafiador também inclui regulamentações tributárias complexas e forte intervenção estatal na economia. Políticas econômicas desmanteladas pelo governo anterior foram reinstauradas, e uma recente reforma tributária busca fortalecer a fiscalização federal e coibir a sonegação fiscal. Órgãos reguladores federais exercem forte controle em setores-chave, embora os reguladores estaduais sejam mais vulneráveis à influência do crime organizado.
Sociedade civil e proteção social
O sistema brasileiro de assistência às vítimas do tráfico de pessoas permanece fragmentado, com lacunas significativas nos serviços de proteção e apoio. O país carece de um banco de dados centralizado, o que dificulta o rastreamento das vítimas e a avaliação da eficácia dos serviços. Diversas agências coletam dados sobre as vítimas, mas metodologias inconsistentes limitam a coordenação. Não existem abrigos especializados nem financiamento para o apoio às vítimas a longo prazo em nível federal. Em vez disso, as vítimas dependem de serviços gerais, como programas de saúde e alfabetização, que variam conforme a localidade. São Paulo mantém dois abrigos para vítimas do tráfico. As políticas nacionais de drogas abrangem a promoção da saúde relacionada às drogas, a intervenção precoce, o tratamento, a integração social de comunidades marginalizadas e o apoio à recuperação. O programa federal de proteção a testemunhas atende um pequeno número de pessoas anualmente, mas carece de diretrizes claras para os participantes que buscam o anonimato.
A abordagem atual ao crime organizado prioriza a repressão em detrimento da prevenção, com campanhas de conscientização limitadas que abordam o tráfico de pessoas, o tráfico sexual ou o turismo sexual infantil. Iniciativas localizadas reduziram a violência, mas faltam estratégias mais abrangentes. Em agosto de 2024, o Brasil lançou um novo plano nacional voltado para o tráfico de pessoas para trabalho forçado e exploração sexual, juntamente com novas unidades de combate ao tráfico. As campanhas de prevenção às drogas são criticadas por sua abordagem repressiva e pela falta de estratégias baseadas em evidências. O governo está explorando intervenções sociais na Amazônia, mas seu impacto permanece incerto. O Banco Central do país implementou medidas de segurança reforçadas, incluindo novas normas para aprimorar a prevenção de fraudes, reduzindo a assimetria de informações. Relatórios recentes identificaram fragilidades na proteção a denunciantes no Brasil, particularmente para funcionários do setor privado que denunciam suborno internacional.
O espaço cívico é relativamente aberto, mas as ONGs que atuam com direitos fundiários e proteção ambiental enfrentam riscos significativos, incluindo assédio e violência. Ativistas ambientais e jornalistas que investigam atividades ilegais na Amazônia são particularmente vulneráveis. Com a expansão do crime organizado na região, as comunidades indígenas também sofrem graves ameaças. Organismos internacionais expressaram preocupação com as violações de direitos, especialmente contra populações indígenas e afrodescendentes. A liberdade de imprensa é ameaçada por ataques a jornalistas, bem como pela concentração da mídia e pela desinformação, apesar da melhora nas relações com o governo. Enquanto o Estado investiga a violência policial e a corrupção, a sociedade civil desempenha um papel central na pesquisa sobre prevenção do crime, visto que as autoridades permanecem resistentes à influência externa.
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