A Verdadeira História dos Illuminati: O Que Aprendi com o Livro "Perfectibilists"
Se você sempre teve curiosidade sobre os Illuminati, mas está cansado das teorias da conspiração que envolvem répteis alienígenas e o fim do mundo, preciso te apresentar um livro que mudou completamente minha visão sobre o assunto. Estou falando de "Perfectibilists: The 18th Century Bavarian Order of the Illuminati", do pesquisador Terry Melanson. Essa obra é, sem sombra de dúvida, uma das fontes mais sérias e bem documentadas que existem sobre a verdadeira história dessa sociedade secreta.
Logo de cara, o título já entrega uma curiosidade fascinante. Você sabia que "Perfectibilists" era o nome original que o fundador, Adam Weishaupt, queria dar ao grupo? O termo vem da ideia de "perfectibilidade", ou seja, a crença de que o ser humano pode ser constantemente aperfeiçoado através da razão e da educação. Só depois ele mudou para Illuminati, que significa "os iluminados". Essa simples mudança de nome já diz muito sobre o espírito da organização: eles não queriam apenas ser um clube, queriam ser os portadores da luz do conhecimento.
O autor, Terry Melanson, não é um teórico da conspiração. Ele é o responsável pelo site "Illuminati Conspiracy Archive" e dedica-se ao tema desde o ano 2000. O que torna o livro dele tão especial é o rigor acadêmico. Não espere encontrar alegações infundadas ou sensacionalismo barato. Melanson construiu uma obra com mais de 500 páginas, recheadas por mais de mil notas de rodapé que remetem a documentos originais e registros históricos da época. Ele inclusive compila biografias detalhadas de mais de 400 membros confirmados da ordem, o que prova o nível de profundidade da pesquisa.
Mas afinal, qual era o verdadeiro objetivo da sociedade, segundo o livro? Ao contrário do que pregam os memes da internet, os Illuminati não queriam dominar o mundo através de satanismo ou controle mental. O objetivo central era muito mais humano e, de certa forma, até nobre para o contexto do século XVIII. Eles queriam reformar a sociedade baseando-se nos ideais do Iluminismo. Isso significava promover a razão em detrimento da superstição religiosa, combater a opressão da nobreza e da Igreja Católica, que na época detinham enorme poder sobre a vida das pessoas, e construir uma nova moralidade baseada em princípios racionais.
Para alcançar isso, a estratégia deles era extremamente pragmática. Eles acreditavam na infiltração. O plano era recrutar jovens ricos, influentes e bem posicionados na sociedade, educá-los dentro da doutrina da ordem e colocá-los em posições-chave no governo e na administração pública. Era uma tentativa de mudar o sistema por dentro, usando a influência política e social que esses membros acumulavam. A disciplina interna era rígida e exigia obediência total aos superiores, sempre sob o juramento de servir à missão universal da organização.
Claro que isso não durou muito tempo. O governo da Baviera, sentindo-se ameaçado, acabou banindo a sociedade em 1785, e o grupo foi oficialmente dissolvido. O que Melanson faz de forma brilhante no livro é separar os fatos históricos desse evento das fantasias modernas. A lenda dos Illuminati que conhecemos hoje, aquela que supostamente controla governos e artistas pop, é uma construção posterior que pouco tem a ver com o pequeno e idealista grupo de intelectuais liderados por Weishaupt.
Se você quer entender de verdade o que foram os Illuminati, sem cair no conto do vigia das teorias conspiratórias, "Perfectibilists" é a leitura essencial. O livro está disponível em capa comum e versão digital, e custa cerca de vinte e cinco dólares. É um investimento para quem aprecia história séria, bem pesquisada e que desmonta mitos com evidências concretas. Depois de ler essa obra, você nunca mais vai olhar para os símbolos misteriosos na cultura pop da mesma forma, mas, principalmente, vai aprender a separar o joio do trigo quando o assunto é história secreta.
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